domingo, 8 de maio de 2011

KATIA ABREU DÁ CALOTE NOS RURALISTAS DE TODO PAÍS

Por Leandro Fortes

em Carta Capital

A senadora Kátia Abreu, do Tocantins, era um dos orgulhos do DEM até se bandear para o recém-criado PSD, do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, do qual, inclusive, poderá ser a primeira presidenta. Enquanto era um dos expoentes do ex-PFL, Kátia aproveitou-se como pôde da sigla. Nas eleições de 2010, criou uma falsa campanha nacional para, via caixa do partido no Tocantins, arrancar dinheiro de produtores rurais em todo o Brasil e eleger o filho, Irajá Abreu (DEM-TO), para a Câmara dos Deputados, e outros nove deputados estaduais para sua base política local. Tudo sem que a direção nacional do DEM tivesse conhecimento.

A ideia de convocaros “cidadãos e militantes” do agronegócio Brasil afora para bancar a campanha dos ruralistas foi posta em prática graças à capilaridade e ao poder econômico da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), presidida pela senadora. De posse do cadastro da instituição, ela usou o serviço de mala direta para mandar boletos bancários de 100 reais cada, a fim de garantir recursos extras para a eleição e reeleição de candidatos ruralistas. Nas eleições de 2010, a senadora coordenou as finanças da campanha do candidato José Serra, do PSDB, à Presidência. Ou seja, usou uma entidade de classe para fazer política partidária. Oficialmente, a CNA “atua na defesa dos interesses dos produtores rurais brasileiros junto ao governo federal, ao Congresso Nacional e aos tribunais superiores do Poder Judiciário, nos quais dificilmente um produtor, sozinho, conseguiria obter respostas para as suas demandas”.
A questão não se resume apenas a um dilema ético-institucional. Para convocar os produtores a bancar as campanhas dos ruralistas, Kátia Abreu tornou-se protagonista de um vídeo de 1 minuto e 32 segundos, ainda disponível no YouTube, intitulado “Ajude-nos nessa missão”. O programa foi criado para ser veiculado, na internet, dentro do site http://www.agropecuariaforte.com.br, atualmente fora do ar, produzido pela equipe da senadora para divulgar as agendas de campanha dos candidatos ruralistas e os interesses dos latifundiários a serem defendidos durante as eleições passadas.
O mais interessanteé que, a certa altura do vídeo, a senadora apela aos produtores para “garantirmos a presença, no Congresso Nacional, de parlamentares dispostos a assumir, sem medo, as grandes causas do campo”. Para tal, conclama a todos a “eleger e reeleger” deputados e senadores ligados ao agronegócio “independente (sic) do estado ou do partido”.
Em seguida, explica que todo o dinheiro doado seria depositado “em conta exclusiva do meu partido”, para, segundo ela, “ter mais controle sobre a arrecadação”. A tal conta exclusiva pertencia ao diretório regional do DEM do Tocantins, do qual ela, por coincidência, era também presidenta. De fato, ela manteve total controle sobre a arrecadação.
De acordo com o site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 6.485 eleitores atenderam ao pedido da senadora e lá depositaram 648,5 mil reais. Outras 330 empresas também atenderam ao apelo e, juntas, doaram outros 66 mil reais para a campanha a favor da “agropecuária forte”. Acontece que o dinheiro irrigou somente a horta da turma tocantinense de Kátia Abreu. Os demais candidatos defensores do agronegócio no resto do País nunca viram brotar um só centavo em suas contas de campanha.
Ainda segundo o registro do TSE, feito a partir da prestação de contas do diretório do DEM em Palmas, revela-se que somente dez candidatos receberam recursos oriundos do fundo ruralista criado pela parlamentar: nove deputados estaduais do Tocantins, que formam a base da senadora no estado, e seu filho Irajá Silvestre Filho, deputado federal eleito. Para facilitar a eleição do rebento, a mãe conseguiu, inclusive, mudar o sobrenome dele: o jovem passou a chamar-se, nas eleições passadas, Irajá Abreu. Dos 1,4 milhão de reais arrecadados pelo DEM do Tocantins (dos quais 714 mil reais vieram da campanha de Kátia Abreu), 200 mil reais foram para a campanha de Irajá Abreu.
Titular da Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados, onde atua como lobista do latifúndio nacional, Irajá Abreu chegou a ser autuado, em Palmas, por desacatar policiais militares, após ser multado por se recusar a retirar o carro de um estacionamento privativo de táxis. “Quem é você para me pedir documentação?”, bradou o filho da senadora para o PM que o interpelou. No episódio, o jovem ruralista, de 27 anos, ficou tão furioso que foi preciso chamar reforço policial para contê-lo.
Ao saber da históriapor CartaCapital, a direção nacional do DEM mostrou-se surpresa. De acordo com a assessoria de imprensa da sigla, o partido chegou a ser consultado, no ano passado, da viabilidade de se montar a tal campanha de arrecadação para candidatos ruralistas. Kátia Abreu, informa a direção do partido, foi “expressamente” desautorizada a fazê-lo. Internamente, avaliou-se que esse tipo de arrecadação poderia causar problemas na Justiça Eleitoral. Ainda assim, a senadora levou o projeto adiante, sem o conhecimento do partido e sem jamais ter prestado conta do dinheiro arrecadado.
Apenas pelo site do TSE foi possível à direção nacional do DEM descobrir que o dinheiro da campanha “Ajude-nos nessa missão” foi distribuído para apenas quatro outros candidatos do partido no estado, além do filho da parlamentar. Os beneficiados foram Darlom Jacome Parrião, Antonio Poincaré Andrade Filho, Maria Auxiliadora Seabra Rezende e Silas Rodrigues Damaso. Também receberam apoio Amélio Cayres de Almeida, Wilmar Martins Leite Júnior e José Bonifácio Gomes de Souza, filiados ao PR, Ailton Parente Araújo (PSDB) e Gerônimo dos Santos Lopes Cardoso (PMDB). Kátia Abreu não atendeu aos pedidos de entrevista.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Caxias em Off - 6 de maio de 2011 - Auscultando os cardeais

Fui a Timon, à boca da noite de anteontem, com a intenção de auscultar os cardeais pedetistas que para lá se deslocaram na quarta-feira para prestigiar as homenagens ao falecido líder maior do partido no estado, o ex-governador Jackson Lago... Estrada já escura, uma luz aqui outra acolá, e muito carro no meio.
Como antecipei na coluna de ontem, findas as homenagens, às 21 horas, as conversas políticas se voltaram para o futuro do PDT maranhense e, no centro das discussões, o imbróglio que envolve a disputa pelo comando da sigla em Caxias. Para começar, ouvi do médico Igor Lago e do prefeito de Porto Franco, Deoclides Macedo, a incisiva afirmação: “O vereador Helton Mesquita, por questão de honra, será o candidato a prefeito do PDT” na Princesa do Sertão... Em seguida, Igor Lago passou a discorrer as razões porque Helton deveria não só manter o controle local da sigla como ser o candidato a prefeito em 2012. O filho trouxe a memória do pai para dizer que a decisão sobre o comando do PDT em Caxias foi “o último ato administrativo de Jackson Lago e, portanto, será mantido”. Para ele, além disso, o PDT precisa resgatar a história de partido diferenciado, orgânico, no qual as decisões são tomadas pela obediência aos princípios democráticos contidos no próprio estatuto. Ainda segundo seu raciocínio, o estatuto do PDT é fruto de uma profunda reflexão política e o único no país que condensou em si mesmo as bases seguras para uma discussão democrática interna e externa da agremiação partidária trabalhista nacional. Por isso, esses princípios deveriam ser preservados a qualquer custo, a começar pelo caso de Caxias...
Já Deoclides Macedo, em afinação com Igor, acrescentou na questão a observação de que hoje não é a disputa interna entre esse ou aquele grupo, entre Julião Amin, Weverton Rocha e Humberto Coutinho e ele, Igor Lago ou Chico Leitoa, o elemento fundamental mas sim o consenso partidário no sentido de definir o que será o PDT daqui para frente.
Feições
Embora polidos e preocupados com a argumentação, no sentido de que esta fosse definida no puro aspecto consensual e cingida ao pretendido embate democrático interno no PDT, as feições de ambos não conseguiam esconder a irritação com o resultado da reunião em Brasília entre Humberto Coutinho, Julião Amin e Weverton Rocha com o presidente nacional da sigla, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi...
Nas entranhas
...Mais elaborado no princípio teórico da condução do partido, Igor Lago deu a impressão de que instalou em si, nas próprias entranhas, o objetivo de levar adiante a missão que antes pertencia ao pai...
Ação política
...Já Deoclides Macedo amplia a visão, em paralelo a Igor, no rumo da posição do PDT em relação à ação política da agremiação consonante à realidade maranhense e suas especificidades regionais...
Coletivo
...Deoclides e Igor ainda frisaram que está valendo o acordado sobre toda e qualquer discussão no PDT ser tomada somente após a consulta ao coletivo do partido, hoje integrada por 12 membros e dos quais, segundo ambos, pelo menos oito fechariam com o pensamento dos dois...
Cartucho
...Ou seja, vem guerra por aí, e não é santa... se esta já não está a caminho com todos de arma em punho... Pois se um resultado em Caxias elimina o outro, caso HC esteja mesmo disposto a brigar pelo comando do PDT até o último cartucho a batalha só irá parar com ele ou Helton fora do partido...
Vale
...O mesmo vale para Julião Amin e Weverton Rocha e, até, para Carlos Lupi, se este se comprometeu também a fazer valer o que foi conversado em Brasília...
Batalha
...De forma que, como acentuei na coluna de ontem, na medida em que o destino do PDT no Maranhão foi atrelado à disputa pelo partido em Caxias, dependendo das armas e munições de cada grupo a batalha poderá prosseguir por bastante tempo...
Em silêncio
...Presente na pele de personagem central do imbróglio, o vereador Helton Mesquita quase não se manifestou para além do que já tem dito sobre o quiproquó. Acredito que satisfeito com o que ouvia da boca de Igor e de Deoclides, HM achou mais proveitoso saborear em silêncio as colocações dos dois...
À distância
...Detalhe: durante a conversa relatada acima, o ex-prefeito Chico Leitoa e o filho e deputado Luciano Leitoa (PSB) mantiveram-se à distância atendendo e conversando com a multidão que compareceu às homenagens a Jackson Lago.
Presenças
Apesar de anunciadas as presenças de outros integrantes estaduais do partido, em Timon só compareceram o médico Igor Lago e o prefeito de Porto Franco, Deoclides Macedo. O vereador Helton Mesquita chegou quando a missa já iniciara e, logo em seguida, o colega Catulé (PSDB), hoje uma figura sempre presente nos eventos pedetistas do município vizinho...
Centro
...O evento foi realizado no Centro da Juventude... A vistosa obra é uma herança da gestão Jackson Lago, concluída pouco tempo antes do então governador ser apeado do cargo no tapetão do Judiciário em Brasília. No prédio da instituição coexistem um complexo esportivo e diversas manifestações artísticas e culturais bancados pela Fundação Cidadania, Ong local ligada ao PDT timonense.
GONZO
Inflamado - Tudo o que HC não queria aconteceu... Para o prefeito de Caxias, melhor seria que o caso local fosse discutido e digerido dentro do PDT sem alarde, sem beligerância... Agora, resta ao mesmo sopesar o fato para ver se vale mesmo a pena entrar de cabeça e pé no fogaréu do quiproquó. Afora que o que mais ouvi em Timon é que HC já teria uma quantidade enorme de partidos sob seu controle e que, nessa condição, deveria filiar o sobrinho Leonardo Coutinho em outra sigla, menos no PDT!!!... Isso dito pelos pedetistas locais e estaduais... Inflamou o ambiente!!!
Ria - Tive a impressão de que Helton Mesquita ria por dentro, postado no meio, entre Deoclides Macedo e Igor Lago... A cada vez que olhava seu rosto, ‘Meu Irmãozinho’ parecia que gargalhava com as tripas à bandeira despregada... Mas pode ter sido só mesmo impressão, uma ‘viagem’ do redator da Caxias em Off!!!

“O melhor perdeu” – Começo a acreditar em Flávio Dino


O clima de desgoverno e impunidade prevalece em São Luís, mesmo após diversas manifestações de revolta e desaprovação popular, ao governo João Castelo, nas redes sociais de internet e em boa parte da imprensa escrita, falada e televisionada. A cidade vive em caos constante, vítima de uma administração que só demonstra falta de competência e total despreocupação com os problemas da população local.
Chama a atenção o fato da Câmara Municipal, composta por parlamentares que deveriam ter um posicionamento enérgico diante dos problemas do município, por serem a classe política que mais tem contato com o povo, se manterem totalmente apáticos diante da revolta popular.
Na Assembleia Legislativa, alguns deputados estaduais estão desempenhando o papel dos vereadores, diante da inércia da Câmara Municipal. Deputados como Eliziane Gama e Roberto Costa, não estão errados, devem defender a população da capital. É sinal de que há uma luz no fim do túnel. Espera-se que esta luz não se apague.
A verdade é que João Castelo demonstra falta de habilidade para administrar a São Luís do presente e, consequentemente, está complicando a situação administrativa da São Luís do futuro.
A população precisa se posicionar de maneira mais enérgica, Castelo precisa ser retirado, democraticamente, do comando da Prefeitura de São Luís, para o bem de todos.
Começo a me questionar se o Flávio Dino estava certo, quando disse: “O melhor perdeu!”, depois de derrotado por João Castelo, nas últimas eleições municipais. Talvez o melhor não tenha perdido, entretanto, uma certeza todos temos: o pior ganhou!


o        Do Blog do Udes Filho –